sábado, 5 de julho de 2008

Boniteza de um Sonho - Moacir Gadotti


No ano passado, nas minhas andanças na web, encontrei o livro do Moacir Gadotti, Boniteza de um sonho: ensinar e aprender com sentido – Novo Hamburgo: Feevale, 2003.
Tenho lido seguidamente essa preciosidade e gostaria de transcrever aqui uns trechos que fazem muito sentido para mim nessa etapa de construção e reconstrução do meu Portfólio de Aprendizagens - Atividade de conclusão do semestre do curso de Pedagogia:

"A beleza existe em todo lugar. Depende do nosso olhar, da nossa sensibilidade; depende da nossa consciência, do nosso trabalho e do nosso cuidado. A beleza existe porque o ser humano é capaz de sonhar.
Inspirei-me em Paulo Freire para escrever esse livro. Paulo Freire nos fala em sua Pedagogia da autonomia da 'boniteza de ser gente'1 , da boniteza de ser professor: 'ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria'2 . Paulo Freire chama a atenção para a essencialidade do componente estético da formação do educador. Coloquei um título que fala de sonho e de sentido que querem dizer a mesma coisa. 'Sentido' quer dizer caminho não percorrido, mas que se deseja percorrer, portanto, significa projeto, sonho, utopia. Aprender e ensinar com sentido é aprender e ensinar com um sonho na mente. A pedagogia serve de guia para realizar esse sonho..." (GADOTTI, Moacir - Novo Hamburgo: Feevale, 2003. p. 3)


1 Paulo Freire, Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática
educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997, p. 67.
2 Idem, ibidem, p. 160.

..."A educação é necessária para a sobrevivência do ser humano. Para que ele não precise inventar tudo de novo, necessita apropriar-se da cultura, do que a humanidade já produziu. Educar é também aproximar o ser humano do que a humanidade produziu. Se isso era importante no passado, hoje é ainda mais decisivo numa sociedade baseada no conhecimento. O professor precisa saber, contudo, que é difícil para o aluno perceber essa relação entre o que ele está aprendendo e o legado da humanidade. O aluno que não perceber essa relação não verá sentido naquilo que está aprendendo e não aprenderá, resistirá à aprendizagem, será indiferente ao que o professor estiver ensinando. Ele só aprende quando quer aprender e só quer aprender quando vê na aprendizagem algum sentido. Ele não aprende porque é 'burrinho'.
Ao contrário, às vezes, a maior prova de inteligência encontra-se na recusa em aprender.
Aprender vem de 'ad' (junto de alguém ou algo) e 'praehendere' (tentar prender, agarrar, pegar). Aprendemos porque somos seres inacabados: as tartarugas nascem 'sabendo' o que precisam. Nascem na praia sem a presença da mãe. Mesmo assim, elas 'sabem' que devem ir logo para o mar, caso contrário podem acabar na boca de algum predador. Os seres humanos, contudo, se abandonados, mesmo com alguns meses de vida, eles morreriam.
Nascem frágeis. Se os pais não os alimentam, morrem.
Nós, seres humanos, não só somos seres inacabados e incompletos como temos consciência disso. Por isso, precisamos aprender 'com'. Aprendemos 'com' porque precisamos do outro, fazemo-nos na relação com o outro, mediados pelo mundo, pela realidade em que vivemos.
O que acontece conosco é que se o que aprendemos não tem sentido, não atender alguma necessidade, não 'apreendemos'. O que aprendemos tem que 'significar' para nós. Alguma coisa ou pessoa é significativa quando ela deixa de ser indiferente. Esquecemos o que aprendemos sem sentido, o que não pode ser usado. Guardar coisa inútil é burrice. 'O corpo aprende para viver. É isso que dá sentido ao conhecimento. O que se aprende são ferramentas, possibilidades de poder. O corpo não aprende por aprender.
Aprender por aprender é estupidez' 1. Todo ser vivo aprende na interação com o seu contexto: aprendizagem é relação com o contexto. Quem dá significado ao que aprendemos é o contexto. Por isso, para o educador ensinar com qualidade, ele precisa dominar, além do texto, o com-texto, além de um conteúdo, o significado do conteúdo que é dado pelo contexto social, político, econômico... enfim, histórico do que ensina. Nesse sentido, todo educador é também um historiador.
Nós, educadores, precisamos ter clareza do que é aprender, do que é “aprender a aprender”, para entendermos melhor o ato de ensinar. Para nós, educadores, não
basta saber como se constrói o conhecimento. Nós precisamos dominar outros saberes da nossa difícil tarefa de ensinar. Precisamos saber o que é ensinar, o que é aprender e, sobretudo, como aprender." (GADOTTI, Moacir - Novo Hamburgo: Feevale, 2003. páginas 27 e 28.)

1 Rubem Alves, “Sobre moluscos e homens”, in Folha de S. Paulo, 17 de
fevereiro de 2002, p. 3.

5 comentários:

Marlene disse...

Olá Ivana,quero agradecer a visita ao meu blog e também agradecer ao auxílio que me deste, se ele está renovado tem a sua mãozinha salvadora, brigaduu!!!
Tenha um ótimo final de semana, beijos,
Marlene.

Márcia disse...

Oi Ivana, aqui é a Márcia Alves, quero dizer que suas colocações a cerca do Livro de Paulo Freire em Boniteza de um Sonho contribuiu bastante para meu o desenvolvimento de um trabalho acadêmico.Você carrega nas suas palavras muita autenticidade.Parabéns!

Márcia disse...

Oi Ivana, aqui é a Márcia Alves, quero dizer que suas colocações a cerca do Livro de Paulo Freire em Boniteza de um Sonho contribuiu bastante para meu o desenvolvimento de um trabalho acadêmico.Você carrega nas suas palavras muita autenticidade.Parabéns!

ઇઉ Melhor que chocolat ઇઉ disse...

Oi .. adorei sou uma aluna do curso normal de professores . (3 ano) minha professora pediu para eu ler esse livro queria saber um pouco sobre ele .. adorei seu comentário . obrigada me ajudou muito
beijos .. Tatyane

ademirgerlane disse...

excelebnte